quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (2011)


Eu sou fã da série de filmes Missão: Impossível. Já comentei aqui no blog sobre a experiência que tive assistindo ao 2 no cinema e também fiz um breve comentário e avaliação do 3. Sempre achei bacana o Tom Cruise, como produtor, ir atrás de diretores bem distintos para cada um dos filmes, fazendo com que a série ganhe nova roupagem a cada produção. Missão: Impossível - Protocolo Fantasma é o primeiro em que isso não ocorre (ao menos de maneira tão óbvia, como nos anteriores), já que possui uma linguagem cinematográfica muito parecida com seu antecessor. Isso sem dúvida se deve ao fato de que J.J. Abrams, diretor do terceiro, é um dos produtores desse quarto. E o roteiro é de Josh Appelbaum e André Nemec, parceiros de Abrams na série Alias.

Mas o diretor não é qualquer um. Brad Bird, que aqui faz sua estreia em longas de "carne e osso", já que até então havia dirigido (e roteirizado) as animações O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille. Três filmes excelentes. Então, apesar de expectativas serem ruins, eu estava muito ansioso por esse filme. Mas (o que era meio óbvio) ele não chega perto do nível desses outros três filmes dirigidos por Bird, e confesso que esperava mais. Isso é ruim? Certamente que não. Esse quarto filme da série é muito divertido e muito empolgante. Mas em relação à história e desenvolvimento de personagens, algo que, mesmo em um filme de ação, fazem a diferença no resultado final, o terceiro saiu-se bem melhor. Vale notar que Bird não foi roteirista aqui, o que é uma pena. Talvez chegássemos mais perto das ambições de Os Incríveis, por exemplo.

Passando por essa "notícia ruim", vamos ao que há de bom. M:I 4 é um filme muito, muito empolgante. Eu repito e destaco esse adjetivo novamente pela experiência que tive na sessão de ontem, lotada. O público respondeu muito bem às sequências de ação orquestradas por Bird e em diversas vezes, pessoas literalmente pularam da cadeira. Aliás, aproveito para alertar que não assistam aos trailers antes de assistir ao filme. Eu os vi ontem quando cheguei em casa e agradeci por não tê-los visto antes, já que entregam momentos chave de algumas sequências, o que certamente estragará a sua experiência no cinema.

O filme conta com um ar frenético, câmera próxima a ação e cortes rápidos, algo que estabeleceu-se como modus operandi do cinema de ação desde o primeiro filme da trilogia Bourne. Infelizmente, esses três filmes são os únicos que já assisti em que, mesmo com tanto caos, a coerência permanece. Há muitas sequências de luta e perseguição em M:I 4 que certamente beneficiariam-se de menos cortes e planos mais abertos. Ainda assim, elas funcionam. Felizmente, uma das principais (e já famosa) sequências do filme conta com uma decupagem que estabelece o local e a ação de maneira clara e calma. Falo da sequência que se passa no prédio Burj Dubai. Essa foi uma das que mais provocou frisson no público da sessão em que eu estava. Muitas pessoas pulando da cadeira com os sustos provocados pela ação temerária do agente Ethan Hunt (Cruise).

Não quero estragar a experiência para quem ainda não viu o filme, mas posso dizer que eles fizeram de tudo para levar à tela sequências e situações nunca vistas antes. E, no geral, eles foram bem sucedidos no intuito. Há uma sequência que se passa em um estacionamento de carros que é o melhor exemplo disso.

O elenco está ótimo. Desde a pequena e divertida participação de Josh Holloway (LOST) até o vigor e beleza de Paula Patton e Léa Seydoux, que protagonizam uma cena da qual eu adoraria também ter participado. Jeremy Renner (Guerra ao Terror) mostra que tem potencial para assumir a série Bourne, mas quem rouba o show é mesmo Tom Cruise. Posso dizer isso sem medo de ser exagerado: Cruise é um dos melhores atores de filmes de ação da história do Cinema. Porque ele realmente nos faz acreditar em tudo pelo o que os seus personagens estão passando. E quando ele corre, por exemplo, ele realmente corre. Pode parecer besteira, mas em muitos outros filmes de ação não vemos esse mesmo vigor físico nos atores. Cruise faz parecer que ele realmente está fazendo tudo aquilo, sem nenhum auxílio de segurança. Bom, na maioria das vezes ele realmente está, mas com segurança, claro.

A minha decepção no elenco fica por conta do vilão interpretado por Michael Nyqvist. Esse tipo de filme precisa de um bom vilão para ganhar força. E apesar do plano do personagem Hendricks ser digno dos vilões da série James Bond, falta força e carisma a Nyqvist para que o temamos e simpatizemos com ele. Digo "simpatizar" no sentido de "amar odiar", algo fundamental em um bom vilão. Nesse sentido, o terceiro filme da série ganhou muito com o vilão trazido por Philip Seymour Hoffman.

Michael Giacchino voltou à trilha sonora da série, o que era óbvio, já que ele é colaborador habitual tanto de J.J. Abrams quanto de Brad Bird. A trilha empolga e causa tensão como se espera dela e ele ainda tem tempo de brincar com instrumentos e variações rítmicas do tema da série, quando passa por Dubai e pela Índia, mas creio que seu trabalho no terceiro filme também foi superior, especialmente no tema de amor criado para Ethan e sua esposa.

A fotografia é do vencedor do Oscar Robert Elswit (Sangue Negro) e a qualidade está em todo o filme. Por mais complexa que seja a sequência ou a locação, Elswit sempre entrega uma luz de qualidade e que emoldura o roteiro em ação. Não preciso nem dizer que ele trabalhou muito bem quando teve que exibir Paula Patton com seu vestido de noite.


Missão: Impossível - Protocolo Fantasma é um filme que vale a pena ser visto no cinema. Para mim, sempre vale a pena ser visto na telona, mas em alguns casos, como esse, realmente vale a pena. É um filme espetáculo, para fazê-lo viver aquelas emoções apresentadas e disparar o seu coração. E nada melhor que uma grande tela de cinema para isso. Se você puder assistir em IMAX, recomendo mais ainda. Não só a imersão na tela, mas a qualidade superior do som contribui muito na experiência.

A série Missão: Impossível continua muito bem, sempre trazendo surpresas e emoções. Gostei muito da conclusão desse filme e parece que o próximo está encaminhado, já que o filme está sendo bem falado pela crítica e a bilheteria, mesmo apenas com pré-estreias, já é grande ao redor do mundo. Que venha o próximo! E que Tom Cruise continue se arriscando nos filmes para nos empolgar nos cinemas.