sábado, 28 de janeiro de 2012
As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin) (2011)
Eu cresci lendo As Aventuras de Tintim. Com cerca de 10 anos de idade eu, curioso com os quadrinhos que via o meu pai lendo, perguntei sobre o que se tratava e fui apresentado a esse maravilhoso universo de aventuras e conhecimento. Meu pai cresceu lendo Tintim e a tradição foi transmitida para mim. O primeiro livro que li foi A Estrela Misteriosa (1942) e desde então me apaixonei pelo universo criado pelo belga Hergé.
Spielberg sempre se declarou um grande fã das aventuras, mesmo na época em que fez os primeiros Indiana Jones. E sempre foi um projeto "em andamento" em Hollywood, quase sempre ligado a ele. Mas foi só nesse terceiro milênio e após encontrar o parceiro no crime, Peter Jackson, que Tintim finalmente ganharia a sua versão cinematográfica. Aliás, vale notar que já houveram versões cinematográficas dessas aventuras. Em forma de animação, similar a série animada dos anos 90, e também de carne e osso. As animadas eu assisti, as de carne e osso não, apesar de possuir (bem, o meu pai) as versões foto-novela das mesmas (hilárias).
Quando anunciaram que os filmes seriam feitos em CG e com motion capture, eu fiquei com medo. Até mesmo quando as primeiras imagens surgiram na internet. Não parecia que teria a beleza e leveza dos traços de Hergé. Mas, para minha alegria, esse medo acabou nos primeiros minutos de As Aventuras de Tintim. O filme nos introduz àquele visual dos personagens de maneira elegante e muito eficiente. E com a ilustre participação de Hergé (versão CG). Ao ver a ilustração original de Tintim na tela, sabia que aquela seria uma bela aventura.
Sem dúvida nenhuma esse é o filme mais divertido de Spielberg desde 2002, quando dirigiu Prenda-Me Se For Capaz. Aliás, outro que deve ter se divertido muito aqui foi o compositor John Williams, que além de poder brincar com o seu amado (mas pouco ouvido) jazz, ele retoma climas e temas com os quais trabalhou pela última vez lá em 1989, com o genial Indiana Jones e a Última Cruzada.
Sempre considerei Spielberg um mestre na decupagem, mesmo com alguns trabalhos recentes mais fracos. Aqui, ele retoma a sua excelente forma e, contando com a total liberdade do mundo da animação, compõe quadros e sequências belíssimos e extremamente empolgantes. Tintim possui tantas sequências fantásticas que contabilizá-las seria praticamente narrar o filme todo. Além disso, o roteiro de Steven Moffat (Doctor Who), Edgar Wright (Scott Pilgrim) e Joe Cornish mantém o ótimo bom humor dos quadrinhos originais, assim como a bebedeira do Capitão Haddock. Pode parecer besteira, mas numa época de um falso moralismo insuportável, é muito bom ver que não tentaram amenizar a bebedeira de Haddock.
O elenco de dubladores é ótimo, com Jamie Bell (Billy Elliot, King Kong) como Tintim, o fantástico Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos: A Origem) como Haddock, Daniel Craig (Quantum of Solace, Millenium) como Sakharine e a dupla Nick Frost/Simon Pegg (Chumbo Grosso, Todo Mundo Quase Morto) como os detetives Dupont e Dupond. O destaque fica mesmo com Serkis e sua caracterização como Haddock.
Toda a beleza e riqueza de detalhes dos quadrinhos também se reflete no filme, que conta com uma direção de arte e fotografia belíssimos. Aliás, um "bônus" do filme são as elegantes e bem sacadas transições entre algumas cenas. Várias provocaram "ohs" na sessão em que eu estava (lotada), o que é sempre um bom sinal. Assisti ao filme em 3D e quem acompanha o blog deve saber que não sou entusiasta do formato, pelo contrário. Mas posso dizer que o 3D não prejudica em nada o filme. Aliás, rende até belos momentos, como quando entramos numa sala escura e abandonada e as partículas de poeira realçadas pela lanterna do personagem parecem estar bem diante dos nossos narizes. Vale ressaltar que eu assisti ao filme em IMAX, que para mim, é a única sala em que o mecanismo funciona. Na maioria das salas existentes, com suas lâmpadas fracas, a experiência prejudica muito a qualidade da projeção.
Sem dúvida nenhuma, entre as diversas sequências de ação do filme, uma das mais comentadas é uma longa perseguição que se passa numa cidade e que envolve uma moto com sidecar (A Última Cruzada, alguém?). Mas como disse, são incontáveis os destaques nesse aspecto. Destaco também a sequência que mistura as lembranças de Haddock sobre uma batalha de seu antepassado. É realmente belíssima e muito bem construída.
Assim como já fez diversas vezes em sua carreira, Spielberg volta a encantar e empolgar o público. Uma aventura à moda antiga, ainda assim, extremamente moderna. Personagens carismáticos criados por Hergè e respeitados pelos roteiristas. Uma trilha que me fez sair assobiando ao fim da projeção. E a expectativa pela próxima aventura desse jovem e destemido repórter e seu adorável cãozinho Milu é enorme. Da próxima vez o responsável pela direção da aventura será Peter Jackson, outro que admiro muito.
Tanto quanto fã dos quadrinhos quanto fã de cinema em geral, eu recomendo muito As Aventuras de Tintim. Se ainda há um jovem aventureiro dentro de você (espero que sim), certamente valerá a visita.
As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin) (2011)
2012-01-28T12:04:00-02:00
Felipe Fonseca
resenhas|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
