quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Imortais (Immortals) (2011)


Se eu gostei do filme? Sim. Se ele é bom? Não muito. Se eu recomendaria? Não.

Paixões que vêm da infância são difíceis de explicar e acabam perdurando por toda a vida. Eu sempre fui apaixonado por mitologia grega e é por isso que consigo encontrar espaço no coração (ahhh) para obras cheias de falhas como a série de livros Percy Jackson ou a mais nova versão de Fúria de Titãs, simplesmente porque os elementos "bacanas" dessas produções, pelo menos para mim, acabam compensando as falhas. É como se eu preenchesse essas falhas e vazios na minha própria cabeça e conseguisse assim apreciar melhor esses livros e filmes. Foi o que ocorreu com Imortais.

Além da temática, eu estava empolgado para ver o filme por causa do seu diretor, Tarsem Singh, que dirigiu um filme do qual sou muito fã, The Fall. Aliás, havia sido o 2º e até então último filme que ele havia dirigido, em 2006. Um filme belíssimo. Singh tem uma assinatura visual e mesmo que alguns críticos (e outros tantos "chatos") não vejam mérito nisso, eu vejo sim. Apesar de poucos filmes, ele tem uma forte identidade visual e certamente não há nada parecido no cinema atual (visualmente falando) com as suas obras. Claro, forma sem conteúdo não significa nada. Em The Fall, ele conseguiu unir as duas coisas. Já nesse Imortais, o conteúdo fica devendo. (Vale lembrar que nesse, o roteiro não é dele. Em The Fall, foi.)

O filme conta o mito do herói grego Teseu, com diversas liberdades criativas, o que para mim não é necessariamente um problema. Algumas invenções são até bacanas, como a versão do Minotauro apresentada. Mas o grande problema (como quase sempre é) são os personagens, que não passam de clichês cinematográficos, sem qualquer personalidade marcante ou tridimensionalidade. Podemos vislumbrar o rumo da história e mesmo o que cada personagem fará a milhas de distância. E o não envolvimento com os personagens é sempre um pecado capital numa história que deveria fazer nos importar com os seus destinos. Além da construção dos personagens, diálogos e trama em geral são bem previsíveis e pouco inspirados também. E em alguns casos, até mesmo as interpretações ficam bem abaixo do que já vi alguns atores fazerem, como a bela Freida Pinto, que aqui é só bela e é permitida entregar momentos patéticos, como quando ela acorda de uma de suas visões. A performance parecia de vídeo caseiro do YouTube. E eu sei que ela é capaz de fazer tal cena com competência, pois já vi seu trabalho em outros filmes. Isso tem uma única explicação: o diretor. Ou ele a dirigiu de maneira errada, ou escolheu o pior take para entrar no filme. De qualquer maneira, a culpa é dele.

Já visualmente, o filme tem muitos méritos e atrativos. Apesar disso, certamente não deve agradar a todos. O estilo visual de Singh foge um pouco do que o grande público está acostumado a ver nos cinemas (uma visão americana, especialmente). Suas inspirações derivam mais da Índia (sua terra natal) e do oriente, de uma maneira geral. Há muitas coisas bizarras, estranhas e até incômodas aos olhos ocidentais, dependendo de cada pessoa. Por isso é totalmente possível que mesmo visualmente, o filme desagrade a muitos. Mas nesse caso, é uma simples questão de gosto e identificação, porque o seu trabalho nesse quesito é de fato muito bom.

Gosto muito das lutas, que apesar de não serem originais (parece que todo mundo quer fazer um plano-sequência lateral à la Oldboy), ao menos nos livram dos cortes frenéticos que não nos permitem acompanhar a ação. Aqui, vemos tudo em detalhes e de maneira muito bem coreografada.

Assisti em 3D e na maior parte dos cinemas está em cartaz assim. (Assisti no Kinoplex Itaim, um dos poucos cinemas que recomendo aqui em São Paulo. Cliente Itaú paga meia). E como sempre digo, funciona nos primeiros 5 minutos e depois só vira um incômodo. Totalmente desnecessário.

Se eu teria na coleção? Certamente. Pelo visual, pelas cenas de ação e pela Freida Pinto. Se eu recomendo? Não.