quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Parabéns, São Paulo


A cidade de São Paulo completa 458 anos de idade amanhã. E como muitos que nela vivem, nutro uma relação de amor e ódio com ela.

Foi aqui que vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. E também alguns dos piores. Uma cidade onde tudo acontece, mas que tantas vezes me frustra por nada acontecer.

Para alguém que sonha rodar o mundo, mas que não pode fazê-lo, São Paulo é uma das poucas cidades em que é possível viver um pouco do mundo sem precisar sair do país. Quem me diz isso são pessoas que já rodaram o globo e que sabem que, como São Paulo, há poucas. O meu tão sonhado Japão, eu degusto um pouco na Liberdade. Nas prateleiras do mercado Marukai, no movimento da feira de domingo, pela rua da Glória, ali eu vivo um pouco do que sonho viver muito. A minha bela Itália, eu curto no Bixiga. Na sua inflada Festa da Achiropita, ou na animadíssima Conchetta da família Taverna, dependendo da esquina em que você estiver na rua 13 de maio, pode até achar que viajou. Na Avenida Paulista, provavelmente meu lugar favorito da cidade, me sinto bem. Mesmo que tenha sido ali que me roubaram R$1,80 à mão armada.

Eu queria muito que minha cidade fosse melhor para todos. Que o verde estivesse espalhado por toda ela, assim como o lazer. Que a cada quadra fosse possível chegar de metrô e que as pessoas não jogassem NADA no chão. Que eu não tivesse medo de andar tranquilo pelo lindo centro, que só não é mais lindo, porque não cuidam dele. Nem governantes, nem habitantes. Já não tive esse medo. Mas foram tantas coisas passadas ali, que hoje em dia tenho. Especialmente de noite.

São Paulo nunca dorme. E isso é muito, muito verdade. A qualquer hora, mesmo que tenha que andar um pouquinho, pode encontrar qualquer coisa aberta. Ainda me assusto quando encontro trânsito no meio da madrugada, mesmo que isso quase sempre ocorra. Eu adoro comer em São Paulo. Dizem que somos uma das cidades com o melhor circuito culinário do mundo. Bom, esse circuito da alta gastronomia eu não tive o prazer de conhecer, mas conheço muitas joias da gula por aqui. E espero conhecer muitas mais.

Outras cidades brasileiras têm fama, mas sendo alguém que já viajou muito por esse Brasil, posso dizer que essa cidade é lar de muitas belas mulheres. Há alguns lugares em que elas aparecem mais generosamente, mas onde quer que esteja, haverá sempre uma mulher pra fazer você entortar o pescoço.

Dizem também que o paulistano não é um povo simpático. Discordo completamente. O paulistano pode até ser estressado e, com tanta gente, é claro que encontrará alguns "espinhos" no caminho. Mas no geral, o que se vê por aqui é muita simpatia e bom humor. Há sempre alguém com quem compartilhar um sorriso cúmplice na rua quando algo inusitado acontece, ou aquela amizade passageira, que só quem fica preso no metrô por meia hora porque alguém invadiu os trilhos, conhece.

A diferença social é grande aqui em São Paulo. Tão grande quanto em qualquer outra cidade do mundo. Mas o trem, o metrô, o Parque do Ibirapuera, a Avenida Paulista, são os mesmos para todos. E nesses espaços, são todos paulistanos, antes de tudo. Quer tenha vindo do sul ou do norte, quem aqui está, daqui é.

Eu odeio São Paulo. Eu amo São Paulo.