quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Responsabilidade (Com grandes poderes...)

Eu fico perplexo, triste e revoltado com a quantidade de absurdos que leio ou ouço pessoas que têm um grande público proferirem. Nós SEMPRE temos que medir as consequências de nossos atos e de nossos discursos. Afinal, quase tudo que fazemos ou dizemos é direcionado ou testemunhado por alguém. Logo, tem poder de influência. Mas é óbvio que quanto maior o seu alcance, o seu público, mais responsabilidade você deve ter.

Por isso é lamentável ver pessoas públicas, como políticos ou artistas, destilarem os seus preconceitos sem nenhum pudor e com isso acabar inflando e corroborando os preconceitos de uma infinidade de pessoas. Ou ver grandes veículos de comunicação, como TV e revistas, "colaborando" com o emburrecimento da população. Isso ocorre de maneira sistemática no Brasil, em particular. Não posso falar sobre o resto do mundo.

Eu sou totalmente contra o moralismo chato e burro, daquele que, por exemplo, queria proibir uma propaganda como essa na TV. Sou contra, sim, qualquer tipo de manifestação que incite ou valide o ódio contra qualquer grupo ou indivíduo, valendo-se simplesmente de preconceitos para tanto. O problema é que a linha que separa um do outro é muitas vezes tênue.

Virão comediantes (e defensores) dizer que se é comédia, vale tudo. Vale tudo mesmo? (Não estou respondendo, apenas levantando a questão.)

Virão religiosos dizendo que podem defender suas crenças, mesmo que signifique julgar e condenar aqueles que não as compartilham. E que isso é liberdade de expressão. Será mesmo?

Virão antigos militares de extrema direita que perduram na atual democracia dizer que têm a liberdade de profanar seus preconceitos contra outras raças, afinal, é uma democracia. É mesmo?

Eu tenho um pensamento que pode parecer simplista, mas que acredito ajudar quando a dúvida surge. Se o que estou falando ou fazendo pode prejudicar ou ferir alguém, provavelmente deveria ficar calado ou não fazer. Não é simples assim, eu sei. Mas como eu disse, serve como um bom parâmetro inicial.

A internet dá voz a quem quiser falar. Os famosos não-famosos proliferam-se aos montes. E embora eles não se deem conta, possuem enorme responsabilidade sobre o que escrevem e dizem por aqui.

Serei bem clichê, mas Gandhi estava certíssimo quando disse que "devemos ser a mudança que queremos ver". Que mundo é esse que os propagadores de intolerância, ódio e ignorância querem ver? Simplesmente não consigo conceber que alguém, nos dias de hoje, queira algo assim.

Eu quero tolerância, amor e sabedoria. Espero propagar isso.