*Esse título é uma tradução do original, e não a versão brasileira do mesmo. Já que acho absurdo não saberem diferenciar um artigo definido de um indefinido.
Eu gosto muito do primeiro filme, como escrevi aqui (também fiz vídeo mostrando o Blu-ray). E cheguei a colocar essa continuação entre os 5 filmes que mais aguardava em 2011. No entanto, ele é inferior ao seu antecessor. Isso não significa que o filme não seja bom e não divirta muito, que é o caso.
Sherlock Holmes já dava a deixa para a continuação e com isso já era sabido que o vilão desse filme seria o grande antagonista de Holmes nos livros, o Professor Moriarty, interpretado com competência por Jared Harris. Além desse acréscimo no elenco, temos também Stephen Fry interpretando o irmão de Sherlock, Mycroft. E ele protagoniza ótimos momentos, quase sempre cômicos.
Acredito que o maior problema de Um Jogo de Sombras é o seu ritmo, sua montagem. Ele não é tão coeso nem possui a fluidez do original. Obviamente, é um problema que reflete também questões trazidas do roteiro, mas ainda assim, é algo que poderia ter sido melhor trabalhado. A personagem Madam Simza, interpretada por Noomi Rapace, sempre diminui o ritmo da narrativa em suas aparições (e são várias) e jamais acrescenta ao que já tinha dado certo no anterior. Ela não tem a mesma graça, sedução e inteligência de Irene Adler (Rachel McAdams). Uma personagem mal construída que acaba atrapalhando a narrativa.
Mas a dinâmica entre Holmes (Downey Jr.) e Watson (Jude Law), que era uma das melhores coisas do primeiro filme, continua excelente aqui. A boa notícia é que além dessa dupla, temos uma nova e ótima dinâmica em tela. Todas as cenas entre Holmes e Moriarty são ótimas e claramente diretor e roteiristas dedicaram especial atenção a elas. Pela primeira vez, vemos Holmes demonstrar respeito e até mesmo medo por alguém, em momentos sutis e de grande talento de Robert Downey Jr. Ele protagoniza também outros ótimos momentos, como quando alguém pede a Holmes que "segure um pensamento". E a sua reação é hilária, pois sabemos que a mente do detetive é um mecanismo que trabalha sem parar, com milhares de coisas sendo processadas ao mesmo tempo. É sua "maldição", como ele mesmo declara em determinado momento.
Curiosamente, apesar da produção se passar em mais locações do que o filme anterior, fiquei um pouco decepcionado com a direção de arte e fotografia dessa vez. Não que haja algo de errado com elas, pelo contrário. É apenas que, tendo visto o belíssimo trabalho executado anteriormente, esperava que Sarah Greenwood e Philippe Rousselot fossem muito além nessa continuação, tendo tanto material para trabalhar, como Paris. Mas também pode ser uma impressão que tive, não é algo definitivo. Uma segunda conferida talvez mude minha opinião nesse aspecto. Já a trilha de Hans Zimmer, contém a mesma energia e competência do primeiro.
O diretor Guy Ritchie brinca muito com o seu estilo de sequências de ação, tendo destaque uma cena que se passa numa floresta e outra que se passa em um trem. As lutas de Holmes, apesar de sempre divertidas e empolgantes, aqui se devem mais ao carisma de Downey Jr. do que às habilidades do diretor. Ao contrário do que ocorreu no original, nesse filme as deduções de luta de Sherlock não parecem muito lógicas. Não há um raciocínio real que faz ele tomar as decisões que toma durante uma luta (com uma exceção), o que acaba enfraquecendo o efeito das mesmas.
No fim das contas, o saldo é positivo. E sei que talvez os problemas que apontei não fossem tão flagrantes se eu não estivesse confrontando esse filme com seu antecessor, mas nesse caso, por se tratar de uma sequência direta, fica difícil evitar. Fosse esse o primeiro filme, talvez os problemas não fossem problemas. Mas com personagens fascinantes e carismáticos como Sherlock Holmes, Dr. Watson e Moriarty, é difícil não se envolver com a trama e se divertir com a história. Eu recomendo.
