quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A Música Segundo Tom Jobim (2011)
Eu gosto de Tom Jobim desde pequeno. Pode parecer estranho uma criança gostar de Tom Jobim, mas só sei que foi assim. Porque quando ele morreu, em 1994, eu fiquei muito triste. E me lembro até hoje que na madrugada daquele dia eu fiquei acordado para assistir um especial sobre ele que passaram na Rede Globo. E é uma paixão que até aqui, só aumentou.
O filme de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim não possui diálogos. É inteiramente musical, contando a história de Tom Jobim e sua música através dessas, justamente. Jobim e seus ilustres parceiros aparecem em filmagens conhecidas, outras raras e outras "descobertas" para esse documentário. Ele mantém uma linha temporal crescente, iniciando com Orfeu da Conceição, o início da parceria entre Tom e Vinícius, e evoluindo com o passar dos anos. Mas isso não é regra, pois diversas vezes vamos e voltamos no tempo. Mas no geral, há esse crescente dos anos.
Os momentos marcantes são muitos, como não poderia deixar de ser com o material utilizado. Acompanhamos a internacionalização da música de Tom Jobim, por exemplo, com muitos estrangeiros interpretando suas canções, nos mais diversos idiomas. Particularmente, adoro o momento em que Diana Krall canta em português, com forte sotaque, claro, mas de um charme absolutamente apaixonante. E que tal "Águas de Março" cantada em alemão? Eu diria ser impossível, até ouvir e ver isso ser feito.
Há também alguns belos detalhes, trazidos em imagens de manuscritos ou artes de disco. Impossível não se emocionar ao vermos os famosos versos impressos no encarte de Tom Canta Vinícius e que no filme aparecem no momento cronológico em que Vinícius partira.
Para quem não conhece nada da trajetória de Tom Jobim, certamente não é o filme para se adquirir esse conhecimento mais pontual. Mas para quem conhece (e suspeito que seja a grande maioria do público dessa obra), a narrativa flui de forma deliciosa. Agora, por favor, não fuja desse filme por conta disso. Se você tem o mínimo interesse pelo assunto, pela música, pelo registro histórico, pelo saudosismo, pelo romantismo, o filme é um prato cheio.
Fui numa sessão lotada aqui em São Paulo. Mas foi triste constatar que eu era uma das 5 únicas pessoas com menos de 50 anos de idade nela. E certamente a única com menos de 30. Acho triste que pessoas nessa faixa etária não apreciem Tom Jobim. Aliás, que só apreciem coisas "novas". Afinal, nas artes, "não existe nada velho, apenas o que ainda não vimos", como dizia Pauline Kael a respeito do Cinema, mas que vale para toda forma de arte. Enquanto essa falta de jovens na sessão me entristeceu, foi uma imensa alegria ver os suspiros, as risadas, o choro de quem, de fato, viveu durante aqueles anos. Se eu já me emocionei, imagino quem estava lá.
Como eu comentei, há diversas participações ilustres durante a projeção, e caso você não reconheça todas elas (foi o meu caso e de muitos, percebi), não se preocupe. Os créditos finais mostram de maneira bem clara quem foram os artistas e quais as canções que interpretaram durante o filme (lembrando que nada foi filmado especialmente para o documentário, ele é formado inteiramente de material de arquivo).
Recomendo muito.
A Música Segundo Tom Jobim (2011)
2012-02-01T23:17:00-02:00
Felipe Fonseca
resenhas|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
